Isso não é Psicanálise!
- Andreia Stenner e Leila Guimarães
- 17 de mar.
- 1 min de leitura
Quando discursos que se apresentam como “psicanálise” recorrem a explicações biologizantes para afirmar que homens seriam “caçadores” e mulheres “presas”, é preciso marcar uma posição. A psicanálise não pode ser utilizada para naturalizar a violência de gênero nem para transformar desigualdades históricas em destino biológico.
Desde Freud, sabemos que o sujeito humano não se reduz a instintos simples. Ele é atravessado pela linguagem, pela cultura e pelo laço social. Reduzir as relações entre homens e mulheres a narrativas de predador e presa esvazia o campo conceitual da psicanálise e pode contribuir para legitimar formas de violência que marcam profundamente nossa sociedade.
Em um país que registrou, apenas em 2025, 1.568 feminicídios, cerca de quatro mulheres assassinadas por dia, qualquer discurso que naturalize a violência precisa ser criticamente confrontado.
A psicanálise não pode se tornar abrigo para conteúdos misóginos. Defender a integridade do discurso psicanalítico é também um compromisso ético com a crítica da violência.
Andreia Stenner e Leila Guimarães são psicanalistas, membras do
Espaço Brasileiro de Estudos Psicanalíticos de Juiz de Fora - EBEPJF.




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