GRUPOS DE TRABALHO

Grupo de Trabalho em Foucault

Periodicidade: quinzenal. Quinta-feira, das 09h às 10:30h.

Representante: Heitor Lobo de Mendonça.

Contato: heitorl.mendonca@acessa.com

O objetivo deste Grupo de Trabalho é articular os saberes desenvolvidos pelo filósofo francês Michel Foucault e a psicanálise. É muito comum se referir ao pensamento de Foucault como sendo radicalmente crítico para com a psicanálise, o que não deixa de ser verdade. Ao afirmar que o discurso psicanalítico seria uma extensão dos saberes psiquiátricos que se constituíram a partir do renascimento e, que teriam por objetivo, a constituição de poderes que visariam o controle das subjetividades, ou como nos diz Foucault, uma continuação do tratamento moral das diferenças e anormalidades, Foucault abre um campo extremamente interessante para que possamos repensar a psicanálise na contemporaneidade e, a partir disto, evitarmos a tentação das verdades absolutas, da arrogância curativa e dos fundamentalismos que infelizmente ainda são uma tônica comum em alguns setores do pensamento e das instituições psicanalíticas.

Grupo de Trabalho em Psicopatologia

Periodicidade: mensal. Segunda quinta-feira de cada mês, das 08:30h às 10h.

Representante: Heitor Lobo de Mendonça.

Contato: heitorl.mendonca@acessa.com

O objetivo é a partir do atual organicismo da psiquiatria, a serviço do biopoder e da indústria dos psicofármacos e que está muito bem representado no DSM V, discutir a psicopatologia na atualidade. Assim, tendo como teorias centrais a psicopatologia psicanalítica, a biopolítica foucaultiana e a retomada da subjetividade como fator determinante na produção das doenças mentais, tal percurso visa a produzir um discurso que possa se contrapor a este novo higienismo, medicalização e psicopatologização dos sujeitos na contemporaneidade.


Grupo de Trabalho em Cinema, História e Psicanálise

Periodicidade: mensal. Terceira sexta-feira de cada mês, das 18:30h às 20h.

Representante: Elaine Aparecida Laier Barroso

Contato: laierplus@yahoo.com.br

Representante: Elaine Laier

Ementa: A proposta deste Grupo de Trabalho é a de contemplar a Sétima Arte, nossa protagonista, passando pela História e pelas demais epistemes das Humanidades mas, tendo como teleologia, a Psicanálise.
Através de reuniões, presenciais ou virtuais, com indicações fílmicas e de bibliografia mista, subsidiamos discussões que vão desde a análise crítica dos personagens, gêneros e tramas, sem nos descuidarmos da especificidade da narrativa cinematográfica, até debates sobre as questões contemporâneas da sociedade, da clínica e das possíveis abordagens em Psicanálise.
Os filmes, as escolas, os diretores e os movimentos estéticos do Cinema serão escolhidos, preferencialmente, nas categorias Clássico, Cult ou Arte, Cool, analisados pelos participantes em forma de apresentação, contextualização e de posterior debate, pretendendo-se constituir aqui uma episteme específica, relevante e própria ao GT.
Esperamos, ainda, pela participação de todos os integrantes do GT nessa empreitada, a fim de que essa instrumental, da Psicanálise, Humanidades e Cinema, seja propícia à função de um Grupo de Trabalho em nossa Instituição: a da disseminação da Psicanálise.
Por fim, outros pontos que propomos a trabalhar no GT, além do que já foi proposto acima:
Competência 1: Contextualizar o Cinema quando do seu surgimento e da sua finalidade primeira.
Identificar os conceitos básicos de Arte e de Cinema.
Contextualizar o Cinema como registro histórico das sociedades: seja daquela que está sendo retratada na película, mas, também, daquela em cujo contexto o filme está sendo produzido.
Analisar os conceitos essenciais de Semiótica e sua relação direta com a simbologia e significantes na Sétima Arte.
Competência 2: Articular o Cinema, a Indústria Cultural, a utopia Foucaultiana e a Subjetividade.
Identificar os preceitos da Indústria Cultural e da Cultura de Massa via Escola de Frankfurt.
Localizar o Cinema na contemporaneidade e perante a Indústria Cultural.
Analisar o impacto da Sétima Arte nos processos de subjetivação dos indivíduos: reafirmação dos valores vigentes na sociedade capitalista, socialista ou possibilidade de transcendência subjetiva?


Formas de trabalho do GT: Apresentação, contextualização e exibição/indicação de películas selecionadas por seus membros. Somados a isso podem ser indicados materiais impressos ou virtuais, disponíveis tanto em links quanto bibliotecas e livrarias, como fomento aos estudos e análise do filme ou escola de cinema previamente proposto. Na reunião seguinte à exibição do filme, haverá o pleno debate entre os moderadores, representante ou outro participante do GT, com os demais participantes para a análise do filme em foco.

*Dado histórico: *Filme de exibição na abertura do GT em 2014 foi: "De Olhos Bem Fechados", do diretor Stanley Kubrick. Homenagem ao Professor e Membro da SEPJF, Dr. Gilberto Salgado (in memorian).
Local : sede do EBEPJF ou via link. 
Debatedores: Integrantes do GT e convidados.

Grupo de Trabalho em Psicanálise e Política 

Representante: Agna Farias

Horário: sextas-feiras quinzenais, de 18:00h às 19:30h.


Este GT é destinado a membros e ouvintes, sendo que estes necessitarão de convite e aprovação da representante para ingressarem.


“Uma sociedade que desaba são também sentimentos que desaparecem e afetos inauditos que nascem. Por isso, quando uma sociedade desaba, leva consigo os sujeitos que ela mesma criou para reproduzir sentimentos e sofrimentos.” (Vladimir Safatle)


A teoria freudiana, embora não tenha sido pensada como um ramo da filosofia, aborda um problema filosófico capital: o das relações entre sujeito e objeto - uma vez que a presença do outro é inevitável enquanto objeto, modelo ou adversário. As relações entre quem explora o mundo e o mundo explorado, bem como relações de uso do objeto, também pertencem ao campo político. A psicanálise, então, se ocupa precisamente dessa relação complexa entre o individual e o coletivo que constitui exatamente o problema central de toda e qualquer ação política. A psicanálise, desde o começo da sua construção, jamais desconsiderou sua interface com a política. Freud, embora não tenha escrito um texto nomeando explicitamente a política, a inseriu em vários outros como, por exemplo, “Psicologia das massas e análise do eu”, “O malestar na cultura” e o mais político de todos: “O homem Moisés e a religião monoteísta”. Além disso, Freud também sempre apontou para as relações de poder, seja na sua fundamental importância para a constituição psíquica, quanto no exercício clínico. A psicanálise como ofício, portanto, implica necessariamente a interpretação dos discursos que falam no sujeito, sobre ele e através dele sendo isso, por si só, um ato político, independentemente de partidarismos, ativismos e militâncias. Por isso, toda pessoa que tem a psicanálise por ofício, por mais que não estude o tema da política, está necessariamente implicada nele. Assim como a ação política, no entanto, da psicanálise espera-se não apenas uma constatação, mas uma incidência sobre os fatos em pauta, uma mudança. Em tempos sombrios de retorno à barbárie fascista, bem como de avanço da política neoliberal, pode-se considerar como minimamente irresponsáveis psicanalistas que não se debruçam sobre a interceção da psicanálise com a política e que não se posicionam frente ao sofrimento causado por esta. O objetivo deste Grupo de Trabalho, portanto, é discutir e aprofundar os estudos sobre a tríade indissociável “política-economia-psicologia”, para que não ocupemos o lugar de uma pseudopsicanálise ignorante que, contra os fundamentos psicanalíticos, se intitula “neutra” e “apolítica”.




Grupo de Trabalho em Psicanálise, Filosofia e Literatura

Periodicidade: quinzenal. Sexta-feira, das 18h às 19:30h.

Representantes: Vinícius Lara da Costa e Ana Carolina Campos Pereira Serpa

Contato: vinicius.lara@yahoo.com.br


A construção teórica da psicanálise beneficiou-se intensamente dos campos da

filosofia e da literatura, partilhando com eles o território comum da linguagem e das

representações. Vários são os exemplos da utilização freudiana da literatura em seu

percurso teórico, como nos casos de Delírios e sonhos na “Gradiva” de Jensen, Contribuições

a um questionário sobre literatura, Escritores criativos e devaneio, Dostoiévski e o parricídio

ou O estranho, para citar apenas algumas referências. No horizonte da filosofia, o diálogo de

Freud com as obras de Franz Bretano, Nietzsche e Schopenhauer são patentes, o que torna

possível a identificação de uma tradição filosófica que rompe com o iluminismo progressista

remanescente do século XVIII e XIX, adentrando nas raias da filosófica existencial que se

desenvolveria no século XX.

As intercessões entre literatura, filosofia e psicanálise se projetam, assim, numa esteira de

relações de influência, sendo possível identificar tanto aquelas fontes que serviram de base

às reflexões freudianas, quanto aquelas que beberam nas águas da metapsicologia. Posto

que não há filosofia, literatura ou arte desligadas de sua época, um enfoque psicanalítico

pode, através da significação dos discursos, levar às matrizes da cultura em suas tentativas

de administrar o mal-estar fruto da renúncia pulsional civilizatória. O personagem na

literatura, ou o filósofo em seu sistema de pensamento, sempre representam um modo de

viver, uma racionalidade e as formas que uma determinada cultura usa para resolver seu

conflito entre o desejo pulsional e a presença do outro.

Neste grupo de trabalho pretende-se debater, com ênfase em textos freudianos, as relações

entre esses três campos do saber e seus desdobramentos na construção de sentidos

para o sujeito da contemporaneidade, mantendo como eixo de discussão a leitura de obras

clássicas da filosofia e da literatura à luz da psicanálise.